sábado, 26 de setembro de 2009

A ESPERANÇA ESTÁ ONDE MENOS SE ESPERA, um filme de Joaquim Leitão

De Joaquim Leitão chega-nos este A ESPERANÇA ESTÁ ONDE MENOS SE ESPERA, uma abordagem moderna e actual de um problema comum: o colapso familiar numa época de crise. Lourenço é um rapaz de 15 anos, proveniente de uma família pertencente à classe média-alta, filho de um promissor treinador, Francisco Figueiredo, que após a derrota na final da taça é despedido. Todo o estilo de vida a que Lourenço estava acostumado é agora obrigado a abdicar, deixando para trás o colégio privado e os amigos de sempre, tendo de se mudar para uma escola pública em que os novos colegas são maioritariamente provenientes da Cova da Moura. Mas esta história simples traz à tona questões muito importantes sobre integridade, sobre o amor, sobre a força de acreditar.
Na história, a mãe de Lourenço decide abandonar o marido, quando este é despedido, e vai trabalhar para Angola para manter o estilo de vida a que estava acostumada. Francisco, vê-se assim sozinho, numa altura em que todos lhe viram as costas e que entra em depressão quando as forças para continuar a lutar parecem escassear. Lourenço tem assim dois colossos de Rodes à sua frente: adaptar-se à nova realidade escolar e ajudar o pai a recuperar a dignidade perdida.
São assim exploradas todas as emoções passíveis de serem experimentadas quando a vida parece desmoronar-se à nossa frente: a aparente impossibilidade de superar as dificuldades, a desilusão perante as atitudes de quem amamos, o peso dos encargos, a luta para manter-se integro quando a dignidade parece arruinada. O que é o amor afinal? Uma companhia para as horas de felicidade? E quando surgem dificuldades? Onde fica o amor? Nas memórias dos tempos felizes? É altura de descartar-nos com argumentos à "the survival of the fittest" e alegar o direito de ser feliz? É porque se essa é realmente a opção a tomar, põe-se a causa a existência do amor. Esta decadência de princípios afecta o estilo de vida de todos os que têm capacidade de pensar. Vale a pena investir sinceramente numa relação que à mínima dificuldade ou discussão se vê destruída? Se o amor não existe, somos então indivíduos que vivemos por viver e para isso contamos com "colaborações" de outros ou outras para viver e a qualquer momento morrer. Isto parece absurdo mas infelizmente esta parece ser a realidade actual e sobretudo futura. Num futuro em que princípios básicos serão substituídos por uma realidade em que a prioridade é a satisfação de necessidades primitivas não olhando aos efeitos que as nossas atitudes têm em terceiros, a vida como a conhecemos até então sofrerá uma drástica mudança de valores.
No final das contas, nota muito positiva para Joaquim Leitão e Tino Navarro por este exercício de reflexão que nos propõem, onde não obstante a transformação de valores e as reviravoltas que a vida pode dar, a luta para ultrapassar as dificuldades e a percepção de que a esperança pode, de facto, estar onde menos se espera são os pilares da felicidade.

1 comentários:

  1. O que te tenho a dizer sobre o assunto, digo-te por msn, telemovel ou similares ..
    Não vou 'discutir' aqui este assunto, mas como sou simpática, deixo este comentário só para te fazer feliz ;D

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